quarta-feira, dezembro 31, 2008

E pronto...! :)

Acreditamos que plantar uma semente
vale a pena pela possibilidade
dos frutos serem colhidos.

Se não houver frutos,
vale a pena pela possibilidade
de colhermos flores.

Se não houver flores,
vale a pena pela possibilidade
de desfrutar os sonhos dos galhos e folhas.

Se não houver galhos e folhas,
vale a pena pela possibiidade
de contarmos com o tronco.

Na ausência do tronco,
vale a pena pelos benefícios possíveis da raíz.

Não havendo raiz,
acreditamos no valor da intenção
de preparar o terreno
e plantar a semente!

(Autor Desconhecido)

terça-feira, dezembro 30, 2008

Uma das razões por que não gosto...

Não sou muito "adepta" da folia e da ansiedade que se gera à volta da noite de fim de ano...Ao fim e ao cabo é uma noite como todas as outras, não há cá entradas com o pé direito, não vá dar-se o caso de andarmos o ano todo em pé coxinho por termos olvidado de introduzir também o esquerdo, nem doze passas, nem saltinhos das cadeiras...enfim, uma série de coisas! Mas o que não me agrada mesmo são estes vaticínios todos que cada vez mais me soam a apocalipse. Só falam em crise, crise, crise...o próximo ano vai ainda ser muito mais difícil... É um dado adquirido e sabido que, realmente, o estado das coisas não é o mais positivo, mas, por favor, respirai um bocadinho!!!
Antes da crise chegar aos bolsos, chega primeiro aos espíritos. Cada vez mais se vê gente deprimida, stressada, mal-humorada...Estes sintomas não são fruto da crise, são o resultado da falta de fé, seja ela qual for e em quem for...As pessoas simplesmente não acreditam e não fazem um esforço muitas vezes para se agarrarem a algo que as faça vir à tona para tomar ar. Embrenham-se nestas lamúrias, vitimizam-se e quase que conseguem levar toda a gente nesta enxurrada de descrença...
Por isso, para este novo ano só tenho uma palavra com um apêndice: ACREDITAR (que começa e se materializa em nós, nas nossas posturas e acções...é pouco, mas é o que nos compete...).

Um ano de 2009 sereno
Beijinho sereno***

Ser feliz é...perder!



Ousamos dar uma volta, duas voltas, três voltas, muitas voltas para alcançarmos a montanha da felicidade, a montanha e não o cume dela. Sentimos, por vezes, que andamos atrasados no tempo ou que apanhamos o comboio certo à hora errada, porque existe sempre a tendência para considerar a hipótese de a felicidade poder estar em alguém ou em algo que por algum motivo já não se pode viver. O que seria de nós se tivessemos tomado outro caminho, se tivessemos tido a coragem de ter dito esta ou aquela palavra a alguém ou, por que não, a perspicácia de a calar, será sempre algo que exactamente desconheceremos. A felicidade não se encontra nas circunstâncias que podiam ter sido, mas nos princípios que a moldam, que a trabalham, que a encaixam no tempo, no espaço e na situação presentes.
Então alguém dizia que, tal como um carpinteiro que constrói uma cadeira e que tem de fazer encaixar as peças, cortando, aplainando, limando, também a felicidade é assim, trabalhada, cortada, carpinteirada. Embora os pedaços de madeira sejam peças únicas, é necessário que se "transformem" para assim se chegar ao produto final.
Sabeis que um dos maiores métodos de aprendizagem/conhecimento é estar atento, escutar os outros, escutar, não somente ouvir...inferindo, interiorizando e transportando as palavras para os lagares do íntimo, onde serão espremidas até soltarem sentido e significado.
Ser feliz é, então, perder...!O pedaço de madeira perde um pouco de si para se encaixar! E o que se deixa como desperdício é o pedacinho que permitiu dar forma à felicidade... Quem sabe esse pedacinho não servirá para simplesmente nivelar outra felicidade ou tão somente para dar vida a um novo lume...

sexta-feira, dezembro 19, 2008

O Natal em crise???

Diz quantos euros tens na carteira e acharás o grau de felicidade neste Natal... E achais mesmo que o Natal está ou será em crise??????????
No Natal NÃO HÁ CRISE...A verdadeira crise seria Jesus ter desistido de nós não tendo nascido! E o Natal NÃO É VIVIDO EM CRISE se soubermos estar de espírito aberto para O acolher...
O Natal não é uma carteira recheada de dinheiro para se comprar tudo quanto se deseja...
Beijinho sereno***

sexta-feira, dezembro 12, 2008

Parabéns :)


A vida cabe nesse sorriso, nessa forma sempre discreta de estares, nessa timidez que te torna especial!Simplesmente, PARABÉNS!!! :)

Beijinho sereno***

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Carta Verde ao Pai Natal

Carta Verde ao Pai Natal:
Porque não me trazes o meu Magalhães prometido?

Nos 60 anos (10.12.2008) da Declaração Universal dos Direitos Humanos, lembrando os meninos que ignoram a ilusão e a esperança de receber um presente de um pai natal qualquer…
Caríssimo Pai Natal,
Porque já me conheces de outros carnavais, pelo menos das cartas que te escrevi no Natal de 2003, 2004 e 2006, não precisarei de te lembrar que quando a ti me dirijo não é para exigir nada de pessoal, mas para te pedir pelos que mal podem falar ou para te sugerir que não nos mandes “mais presentes envenenados” (cf. Geresão de 12/2003).
Nesta missiva, não posso deixar de recordar essa carta aberta com palavras de revolta, onde te dizia que “Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”, como se lê no artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos HUMANOS, mesmo que haja sempre “uns mais iguais do que outros”. E, porque em 2008, se comemoram 60 anos sobre a criação da carta magna dos direitos das Pessoas (Gostei do Pessoas com letra maiúscula : )), queria dizer-te que é incrível que se continue a fazer diferença entre meninos maus (que não sabem porque o são e são-no sem o saber) e meninos bons (que o são sem querer e vivem sem o saber), sendo estes últimos os únicos, porque te pedem ou porque alguém lhos pede por eles, que recebem presentes, Pai Natal!
Por isso, nesta carta verde que hoje te escrevo, volto a protestar não só contigo, mas também com os CTT – Correios de Portugal que, depois do correio normal (que ficou anormal), do correio azul (que deixou de ser rápido), inventaram agora o correio verde, que pretende ser mais rápido (e mais caro, claro), mas são incapazes de responder às cartas ou aos pedidos dos meninos que não sabem escrever ou daqueles que não sabem e não podem pedir, mesmo que, no fundo, não sejam maus… Imagina até que, nas cidades, os meninos que vão às grandes lojas de brinquedos já têm lá cartas escritas para te mandar e, assim, te poderem pedir, mesmo os maus, muitas prendas no Natal!
Mas o pior de tudo, Pai Natal, e essa é a grande razão desta minha nova carta de revolta, é aquilo que os senhores do Governo andam a fazer num pequeno país chamado Portugal. Eles, porque se dizem engenheiros, inventaram um novo brinquedo chamado Magalhães, que prometeram oferecer a todos os meninos que andam nas Escolas de aprender a ler, a escrever e a contar.
Só que, antes mesmo de os meninos terem essa coisa a que chamam computador para crianças, os senhores do Governo já andavam a brincar com ele e a rir, em vez de trabalharem e de resolverem os graves problemas do nosso pobre País.
Entretanto, uma senhora doutora muito severa chamada Lurdes, a tal que se lembrou de avaliar os nossos professores, que agora não têm tempo para nos ensinar, anda pelas nossas Escolas a falar e a prometer o computador Magalhães, acompanhada de outro senhor sorridente chamado Sócrates, de quem eu na Escola aprendi ter sido um filósofo grego morto há muito tempo, mesmo antes do teu amigo Jesus Cristo(Jesus Cristo é amigo do Pai Natal? Nunca percebi muito bem esta mistura do pagão com o cristão…aliás, o que eu não percebo mesmo é que os cristãos assim se deixem envolver por tradições pagãs…), mas que dizem (agora) que se faz passar por engenheiro e por governante do nosso País.
Para tu perceberes bem as coisas estranhas que por aqui se passam, vou apenas contar-te três estórias diferentes, mas todas relacionadas com esse novo brinquedo.
Na aldeia do Luisinho, em Covide, que fica muito longe, lá na serra do Gerês, e onde este mês já caiu neve e aonde tu, assim, já podes ir - o que nunca até hoje fizeste; nessa aldeia, no início deste ano lectivo, os meninos e a senhora Professora, em vez de aprenderem a ler, a escrever e a contar, andaram a preencher uns papéis para receber o Magalhães, com a promessa de que todos os meninos, que são pobres, teriam direito A esse brinquedo de graça. Mas também, Pai Natal, se é um brinquedo, se é um presente, se eles são pobres e se a senhora Professora também o é, POR QUE RAZÃO ( aqui não se aplicaria melhor “ por que”?) haveriam de o pagar? Só que até hoje, e o Natal está mesmo a chegar, nada de brinquedos, nada de prendas, nada de Magalhães… mesmo que esses meninos se tenham portado muito bem.
Na cidade de Braga, onde vive o primo do Luisinho, o Tó Quico, numa escola perto da casa dele, o senhor que foi filósofo e agora é engenheiro, passou por lá, vestiu a tua roupa, mesmo sem ser ele o Pai Natal, e ofereceu o Magalhães a todos os meninos da escola que fica perto do trabalho do pai do Tó Quico! O pai do Tó, que também é professor, soube que este brinquedo foi pago por um senhor da cidade, que é muito amigo das pessoas que são amigas dele. Então o Tó perguntou: - Pai, se é um presente prometido pelo engenheiro Sócrates, porque tem de ser o senhor de Braga a pagá-lo? E porque é que eu, que sou de Covide, mas também de Braga, não recebi nem lá nem cá o meu Magalhães?... Aí, o pai do Tó disse-lhe, sem a mãe ouvir, que ele não queria falar mais disso, que o Magalhães tinha ido com os cães e que ele não percebia nada dessas coisas de presentes de uns que são pagos por outros. Ou melhor: que sabia, mas que essas eram coisas de pessoas grandes e não de meninos que não sabem ler as coisas!...
O pior, porém, Pai Natal, não tinha ainda acontecido! Na terra do Dinis, um amigo do Tó, os meninos também receberam a visita da senhora severa e do senhor sorridente, que lhes vieram trazer o brinquedo Magalhães. Os meninos estavam na sua escola e já tinham todos o presente oferecido em cima das suas mesas e estavam, claro, todos muito felizes, porque já iam poder brincar, coisa que não faziam há muito tempo. Só que, por magia, depois de os dois senhores do Governo passarem pela Escola, que fica em Ponte de Lima, a vila mais antiga de Portugal, os computadores desapareceram e houve alguém que disse mesmo, como o pai do Tó: - O Magalhães foi com os cães…
E diz-me tu, Pai Natal, que me pareces bom e justo: - Como é possível prometerem, aos meninos pobres da aldeia, um brinquedo e não o darem; prometerem e darem um brinquedo, aos meninos bonitos da cidade; darem e tirarem um brinquedo, aos meninos tristes da vila? Por isso, meu bom amigo Pai Natal, eu te pergunto, quase a chorar: - Porque fazem eles destas coisas estranhas neste País pequeno onde, por acaso, também cai neve? E porque não me trouxeste ainda o meu Magalhães prometido pelo senhor do Governo, pelo meu pai e por ti também, pois claro?! Porquê, Pai Natal? Porquê, se eu também sou um menino de Portugal e gosto tanto (ou mais) de brincar quanto os senhores grandes do Governo brincam (connosco)?
Se não me trouxeres mesmo o meu Magalhães preferido, já que o meu pai também não o deixaria entrar aqui em casa, pelo menos, Pai Natal, responde-me a esta carta que é verde (talvez de raiva, como se dizia no tempo da minha avó…), e que também é verde, porque eu tenho ainda alguma ilusão e alguma esperança em ti…
António Carvalho da Silva

P.S. – E, porque podes não acreditar em mim por ser ainda criança, mando-te a cópia que o meu pai me mandou fazer, como castigo por eu lhe estar sempre a falar do Magalhães: é uma notícia intitulada “Magalhães, só para a fotografia”, publicada numa revista chamada Visão (N.º 820, 20/11/2008, p. 34). Parece que os senhores, os jornalistas, que fazem sempre MUITAS perguntas como nós, as crianças, vêem e percebem já algumas coisas, entre as quais esta história estranha do Magalhães, que veio para Portugal depois de um outra ideia, de que eu até gostava, que era o Ler+…

Braga e U.M., 10/12/2008
ACSILVA@IEP.UMINHO.PT

sábado, dezembro 06, 2008

Um pouco mais longe

Senhor, leva-me um pouco mais longe:
que não me habitue a colocar-Te num lugar certo,
que não me iluda
de que Tu és Quem eu penso que és.

Senhor, ensina-me que Tu estás sempre um pouco mais longe:
para lá do que eu penso,
para lá do que eu imagino que és,
para lá do que eu Te peço,
para lá das palavras com que Te descrevo,
para lá do que sei de Ti.

Senhor, ensina-me a ver-Te:
onde parece que não podes estar,
onde perguntam os que não crêem, se Tu estás ou não,
onde as aparências enganam,
onde a realidade da vida é tão espessa que não se vê nada,
onde os meus olhos não conseguem descobrir-Te.

Senhor, educa os meus olhos
para o imprevisto, onde Tu estás,
para o que dói, onde Tu estás,
para o escuro, onde Tu estás,
para a claridade que me cega, onde Tu estás,
para a beleza que me deslumbra, onde Tu estás,
para Te descobrir sempre e em tudo, onde Tu estás.

M.P.Ayerra

Senhor, por terra diante de Ti...

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Parabéns...

À Sónia C.F. 993 : )
À Rosa C.F. 978 : )
E à Isabel (Amiga de infância e com quem não consigo contactar) : )
A todas, um dia extremamente feliz!
Beijinho sereno***

...em branco...


Quantas vezes Senhor...

Quantas vezes Senhor
Eu te virei as costas
E procurei em vão
Noutros lados Tuas respostas
Quantas vezes Senhor
Duvidei do que não via
E minha fé vacilou
Enquanto o orgulho crescia
Mas um dia ao acordar
O Sol tocou minha face
Senti no meu coração
Como se uma luz despertasse
Uma alegria plena
Que não sentia desde criança
Era então um homem novo
Cheio de paz, amor e confiança
Fechei os olhos e procurei
De onde vinha aquela luz
Ajoelhei-me e chorei
Quando me sorriste na cruz
Percebi finalmente
Os caminhos por onde andava
E tal como o filho pródigo
À Tua casa, Pai, voltava
Tive vergonha de entrar
Estava sujo pelo pecado
Abriste-me as portas
Sentaste-me na mesa a Teu lado
Quando por fim abri os olhos
Estremeci com o desgosto
Em vez de amor e alegria
Vi tristeza e ódio em cada rosto


Ensina-me Senhor
A tocar cada coração
E eu levarei a luz
A qualquer homem na escuridão
Mostrar a qualquer soldado
Que empunhe a sua lança
Que o inimigo é irmão
E a paz um sinal de esperança
Em cada lar despedaçado
Pelo ciúme e traição
Eu levarei Senhor
Teu amor e teu perdão
A cada idoso cansado
Que conta as horas sozinho
Lavarei a confiança,
O amor e o carinho
Ao coração destroçado
Que perdeu um ente-querido
Serei eu a consola-lo
A dar-lhe o meu ombro amigo
Ao sem abrigo que dorme
À chuva e ao frio ao relento
Levarei Tua palavra
Para aquece-lo por dentro
À criança que sorri
Sem perceber o motivo
Eu direi: “Deus está em ti,
No teu coração Ele está vivo”
Quando por fim à minha volta
Transbordar alegria e amor
Sei que reinas em cada um
Como reinas em mim Senhor...

Do nosso poeta :) Hugo Santos C.F. 1080

sexta-feira, novembro 28, 2008

Dois ouvidos e uma boca...

...apenas! E Deus entendeu que chegava!
Escutar a Palavra, conduzi-la ao coração e deixar que ela transforme a nossa vida!!!
Mais do que falar, escutar... e depois falar com as mãos!!!

Aos meninos e meninas que se propuseram a abdicar de um pouquinho da sua vida e do seu fim-de-semana ( até mesmo do jogo do Académica :) ) para se encontrarem com Deus, consigo mesmo e com os outros!
Bom Convívio Fraterno!!!!
:) :) :) :) :) :) :)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Rir.... : ) : ) : ) : D


Direitos e deveres...

Anda toda a gente muito preocupada com os seus direitos...
Só direitos...fazem um chinfrim enorme, porque este ou aquele direito lhe está a ser dificultado. Claro que lutam pelo que lhes é devido, mas não se vê esse frenesim todo quando faltam aos deveres que lhes compete...aí já estão outros a reclamar direitos!!!
O direito de cada um depende dos deveres de todos e os deveres de todos dão direitos a cada um...
É difícil???...

domingo, novembro 23, 2008

Ser Rei...

Também nós podemos ser reis...
O primeiro e último dever de qualquer autoridade é servir...
Servir...
E nós podemos ser reis...sem coroa!!!
Porque reinar é servir...
Reinar é servir e amar!!!
Então qual é a missão???
REINAR!

Uma excelente semana e um sublime reinado!

quarta-feira, novembro 19, 2008

Fuga de informação...

Dar-se a conhecer requer calma e método. Não dizer tudo de uma vez, não querer ser tudo de uma vez...não vá dar-se o caso de afugentar as pessoas e, fatidicamente, fugirmos de nós próprios.

"Burros como um soco..."

Alguém, de raízes simples e humildes, um dia destes comentou comigo o seguinte : " Deus deu aos Homens muita inteligência, mas os Homens são "burros como um soco", porque nem sequer Lhe agradecem as capacidades recebidas."
Não ripostei...
Nota: Leia-se "sóco", tamanco.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Quem escreveu " Os Lusíadas"?

-----*Desesperante:Hahahahaha****

Numa manhã, a professora pergunta ao aluno:
- Diz-me lá quem escreveu 'Os Lusíadas'?
O aluno, a gaguejar, responde:
- Não sei, Sra. Professora, mas eu não fui.
E começa a chorar.A professora, furiosa, diz-lhe:
- Pois então, de tarde, quero falar com o teu pai.
Em conversa com o pai, a professora faz-lhe queixa:
- Não percebo o seu filho. Perguntei-lhe quem escreveu 'Os Lusíadas' e elerespondeu-me que não sabia, que não foi ele..
Diz o pai:
- Bem, ele não costuma ser mentiroso, se diz que não foi ele, é porque nãofoi. Já se fosse o irmão...
Irritada com tanta ignorância, a professora resolve ir para casa e, na passagem pelo posto local da G.N.R., diz-lhe o comandante:
- Parece que o dia não lhe correu muito bem...
- Pois não, imagine que perguntei a um aluno quem escreveu 'Os Lusíadas' respondeu-me que não sabia, que não foi ele, e começou a chorar.
O comandante do posto:
- Não se preocupe. Chamamos cá o miúdo, damos-lhe um 'aperto', vai ver queele confessa tudo!Com os cabelos em pé, a professora chega a casa e encontra o marido sentado no sofá, a ler o jornal.Pergunta-lhe este:
- Então o dia correu bem?
- Ora, deixa-me cá ver. Hoje perguntei a um aluno quem escreveu 'OsLusíadas'. Começou a gaguejar, que não sabia, que não tinha sido ele, e pôs-se a chorar. O pai diz-me que ele não costuma ser mentiroso. O comandante da G.N.R. quer chamá-lo e obrigá-lo a confessar. Que hei-de fazer a isto?
O marido, confortando-a:
- Olha, esquece. Janta, dorme e amanhã tudo se resolve. Vais ver que se calhar foste tu e já não te lembras...! *

(enviado por email)

Nota: É só para rir um bocadinho, não para ferir susceptibilidades...até porque também não percebo muito bem a razão da professora ter ficado logo furiosa...

quinta-feira, novembro 13, 2008

(In)Coerências...

Ou se calça a luva e não se coloca o anel....
Ou se coloca o anel e não se calça a luva....

terça-feira, novembro 11, 2008

Recordações...

As recordações não fazem o presente.
O presente é feito do agora e do aqui com o alento das lembranças,sem dúvida.
Mas não basta recordar e sentir que o sentimento nos arrebata...Importa acordar, operacionalizar e dar sentido a obras, gestos e palavras que se candidatam a recordações futuras...boas, se possível!

segunda-feira, novembro 10, 2008

Concretos...

Quando se decide firmemente não acreditar em algo, não há nada que possa provar o contrário do que se pensa...

sexta-feira, novembro 07, 2008

Insuficiente...

"Os caminhos são longos quando se caminha apenas com as pernas."

Mia Couto

quinta-feira, novembro 06, 2008

Na fábrica...

Na fábrica os operários devem obediência às ordens dos superiores...Correcto! Mas e se os superiores nos sugerirem, ainda que muito indirectamente, para aldrabarmos a produção???
Aí é que está a questão...
Engane-se quem pensa que manda os filhos para a escola...Os meninos e as meninas não vão para a escola, vão para a fábrica.
Os professores passaram a ser operários fabris: as peças variam conforme a secção, ou são peças de 1 a 5 ou peças de 1 a 20. As que forem mais elevadas contam indiscutivelmente para a avaliação do operário, logo, nenhum quer ser prejudicado e, mesmo que não ache funcional, transforma uma peça de 3 em peça de 4 ou 5, ou uma peça de 15 em 16, 17, 18....... E é assim que nasce a produção....A produção, questão da questões...Ora bem, sendo assim, se o produto final, e reportando-nos a apenas uma secção, for mensurável e justamente de nível 3, sairá para o mercado com nível 4 ou 5, sem que estes valores correspondam à realidade...Ou seja, o produto final destas fábricas são meninos e meninas com conhecimentos falseados, mentes ocas que não sabem o que significa o esforço e a dedicação que um bom desempenho exige.
E é assim que vai a vida na fábrica...com produções aldrabadas!!!

domingo, novembro 02, 2008

Duas perguntas...ou anedotas!!!

Primeira: Será que podemos exigir que nos paguem por prestar serviços, supostamente voluntários, à comunidade?
Situação: num local da minha freguesia, o sacristão leva dois euros e meio por cada missa... Ora bem, se houver acólitos, que há, pelo menos aos Domingos, recebe só por rodar a chave na fechadura...
Definição: no mínimo, fácil e materialista...
Consequência: qualquer dia não há igrejas que cheguem para receber toda a gente...se for a pagar, não duvideis que não vão chegar os bancos!!!


Segunda: O que mais faltará pagar?
Situação: numa freguesia vizinha, o toque de finados é pago....com a agravante de haver um sino para os pobres e um para os ricos(o mais pequeno). Quanto mais se tocar, mais se paga e quem quiser que o sino mais pequeno toque, paga mais!!!
Definição: no mínimo dos mínimos, insólito...
Consequência: qualquer dia nos campanários, em vez do nome e da data de nascimento e de falecimento, há-de ler-se: tocou o sino grande ou tocou o sino pequeno durante X minutos, o que dá um total de X euros.....

Aqui tão perto e eu que não sabia destas duas anedotas....

A luzinha que incomoda a escuridão!


O mundo não suporta muito tempo as coisas justas e rectas! É uma espécie de escuridão que, de tão grande, procura eliminar todo e qualquer tipo de iluminação. Ainda com as bem-aventuranças a passarinhar na cabeça, lembro-me dos que, por procurarem seguir o caminho da felicidade, são perseguidos e insultados. É como uma sala escura que é acordada por uma réstia de luz que vai desvendar o que ela contém. A sociedade aponta o dedo, troça e maldiz quem procura ser verdadeiramente feliz e faz o bem, porque este bem evidencia o mal que se pratica! Numa sociedade de comparações, eu sou melhor do que tu e eu tenho mais do que tu, estas luzes incomodam a escuridão, logo, nada mais fácil do que tentar apagá-las. Numa sociedade de concretos e visíveis o que custa mesmo é acreditar na recompensa dessas muitas luzes (ainda há bastantes, sejamos positivos), o que custa mesmo é simplesmente acreditar...

quinta-feira, outubro 30, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

Onde acaba a noite e começa o dia?

" Um mestre de vida espiritual perguntou aos seus discípulos se sabiam onde acabava a noite e começava o dia. Um deles disse:
- Quando vemos um animal à distância e podemos distinguir se é vaca ou cavalo.
O mestre disse imediatamente:
- Não!
Os discípulos disserem:
- Então é quando vemos uma árvore à distância e conseguimos distinguir se é figueira ou laranjeira.
O mestre disse:
- Também não!
Os discípulos continuaram:
- Então quando é?
O mestre finalmente explicou:
- Quando vedes o rosto de um homem e reconheceis nele um irmão; quando vedes o rosto de uma mulher e reconheceis nele uma irmã. Se não fordes capazes disso, qualquer que seja a hora, ainda é noite! "

sexta-feira, setembro 19, 2008

Elo



Ter-se um elo forte não indica que sejamos inevitavelmente os melhores e até os maiores. Precisamos de elos para nos sentirmos sintonizados com o mundo, com os outros. Os mais pequenos podem surpreender-nos com a sua resistência, porque não precisam de aparatos nem de grandes bravuras para se definirem. Os mais robustos podem, por vezes, quebrar-se nas circusntâncias do interesse e da inveja...Ter-se um elo é fácil...quer seja pequeno ou grande...agarramo-nos facilmente a qualquer coisa que nos cative.

Ser-se um elo leva mais curvas a percorrer, demora mais tempo...Um elo não aceita com resignação a vontade de Deus, um elo procura a vontade de Deus. A resignação conduz à inacção, ao conformismo; a procura conduz-nos ao caminho e se conduz ao caminho, leva-nos à meta. Para a meta, que é Ele mesmo, Deus dá realmente a cada um de nós o que necessita. Se me não tivesse dado a mim a característica da exigência, com os outros, mas sobretudo comigo mesma, já há muito teria perecido espiritualmente...já há muito os meus elos se teriam quebrado...

segunda-feira, setembro 15, 2008

Peregrinação Anual dos Convívios Fraternos 2008



Este ano uma sensação diferente...igualmente forte, mas distinta da dos outros anos...
Este ano uma conclusão, já concluída, ainda mais firme:
SENHOR, É UMA HONRA VIVER PARA TI!

quarta-feira, setembro 03, 2008

Velhice...

Eu sei que não nos devemos importunar com o futuro, com o que nos está reservado e onde chegaremos. Não sou de andar a pensar muito nisso, mas confesso que de há uns tempos para cá certas palavras e situações verificáveis quotidianamente me têm conduzido para a realidade de velhice. Como serei eu se chegar a ela? Não me preocupam as rugas, a fragilidade física e muito menos as cãs...não é isso que me agasta. Serei livre? Há gente que se prende a um mau humor oriundo não se sabe muito bem de onde. Sim, também sei que desconhecemos muitas vezes as razões desse mau humor, mas sempre assim tão insistente e perfurador? Digo isto, porque aqui há dias e até em jeito de brincadeira me dirigi a alguém já a entrar na velhice, com palavras simples e inofensivas, apenas a sugerir algo que até já foi feito por essa pessoa e vai que cai uma tempestade de rabugice e indignação em catadupa, como se eu tivesse ofendido mortalmente a pessoa visada. Por respeito e com tolerância, calei-me bem caladinha, a pensar " tu que andas quase sempre calada, que te deu agora para falar?"... Ficou a macerar esta reacção que desencadeou em mim uma sensação de impotência. É certo que sempre existiu o chamado choque de gerações, sempre há coisas a apontar, a defender ou a acusar e o mais certo é que eu também na minha velhice, se lá chegar, também o faça, porém, queira Deus que o saiba fazer suavemente, aceitando a voz dos outros com tolerância, sem ferir ninguém e sem deixar de ser quem serei. Oxalá o meu dedo aponte apenas para questionar o que é, não para eliminar quem é.

Simplesmente não há lugares!

Que razões motivarão a falta de acolhimento? O medo de se perder os elogios? A resistência descabida de já não integrar mais ninguém? A presunção de que se é o maior e o mais sábio? Os todos poderosos? Acolher avança essas escadas do politicamente correcto e é mais do que apenas anuir.
Há lugares que não podem nem devem ser fechados, daqueles que se abrem esporadicamente para não parecer mal...
Não há lugares reservados nas fileiras do servir...
Não há exclusividades que nos tornem insubstituíveis...
Não há lugares...simplesmente não há lugares!

quarta-feira, agosto 06, 2008

A terra que nos limita...

" Naquele tempo, Jesus foi à terra d´Ele e começou a ensinar os de lá na sua sinagoga; e de tal maneira que ficavam abismados e diziam: « De onde Lhe vêm semelhante sabedoria e tais milagres? Não é Ele o filho do carpinteiro? Não tem Sua Mãe o nome de Maria? Não se chamam os irmãos, Tiago, José, Simão e Judas? E as irmãs, não estão todas aqui no meio de nós? De onde Lhe vem então tudo isto?» E estavam indispostos com Ele. Mas Jesus observou-lhes: « Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa». E não fez ali muitos milagres, por causa da falta de fé daquela gente. " Mt 13, 54-58

"Não há cansaço que apague a felicidade" e a beleza de servir!
A flor está ensonada ou está a despertar? :)
Beijinho sereno

domingo, julho 27, 2008

Impressões...

Ficam-nos imagens, toques e gestos insistentes, permanentes, em ideia fixa e flutuante. Preenchem buracos, ocupam espaços, misturam-se ideias e ideais numa interrogação inútil e descabida, porque amanhã já deixou de ser.
Sair de nós implica um caminho íngreme, sempre a descer. É fácil, não custa e não cansa. Quando regressamos, perdemo-nos confusos e desconhecidos. Porque descemos cegos, não reconhecemos o trilho de regresso. Palmilhamos como se não fossemos de nós mesmos, como se algo absurdo nos tivesse aniquilado os sentidos. E então cansamos e acordamos...
Sair de nós, embriagados pelo que não somos, altera-nos a imagem, despista-nos da subida a empreender.
Descer é salutar, desde que não passemos pelo des-Ser. A partir do momento em que saímos de nós, quer por atitudes quer por pensamentos, deixamos de ter a lucidez, não a consciência, mas a lucidez que nos julgará mais tarde.

quarta-feira, julho 23, 2008

G8 e a fome no mundo...

Diário de Noticias

"Trufas e caviar no jantar da cimeira do G8 sobre FOME
Os líderes das oito economias mais industrializadas do mundo (G8), reunidos numa cimeira no Japão, estão a causar espanto e repúdio na opinião pública internacional, após ter sido divulgada aos órgãos de comunicação social a ementa dos seus almoços de trabalho e jantares de gala.
Reunidos sob o signo dos altos preços dos bens alimentares nos países desenvolvidos - e consequente apelo à poupança -, bem como da escassez de comida nos países mais pobres, os chefes de Estado e de Governo não se inibiram de experimentar 24 pratos, incluindo entradas e sobremesas, num jantar que terá custado, por cabeça, a módica quantia de 300 euros.
Trufas pretas, caranguejos gigantes, cordeiro assado com cogumelos, bolbos de lírio de Inverno, supremos de galinha com espuma de raiz de beterraba e uma selecção de queijos acompanhados de mel e amêndoas caramelizadas eram apenas alguns dos pratos à disposição dos líderes mundiais, que acompanharam a refeição da noite com cinco vinhos diferentes, entre os quais um Château-Grillet 2005, que está avaliado em casas da especialidade online a cerca de 70 euros cada garrafa.
Não faltou também caviar legítimo com champanhe, salmão fumado, bifes de vaca de Quioto e espargos brancos. Nas refeições estiveram envolvidos 25 chefs japoneses e estrangeiros, entre os quais alguns galardoados com as afamadas três estrelas do Guia Michelin.
Segundo a imprensa britânica, o "decoro" dos líderes do G8 - ou, no mínimo, dos anfitriões japoneses - impediu-os de convidar para o jantar alguns dos participantes nas reuniões sobre as questões alimentares, como sejam os representantes da Etiópia, Tanzânia ou Senegal.
Os jornais e as televisões inglesas estiveram na linha da frente da divulgação do serviço de mesa e das reacções concomitantes. Dominic Nutt, da organização Britain Save the Children, citado por várias folhas online, referiu que "é bastante hipócrita que os líderes do G8 não tenham resistido a um festim destes numa altura em que existe uma crise alimentar e milhões de pessoas não conseguem sequer uma refeição decente por dia". Para Andrew Mitchell, do governo-sombra conservador, "é irracional que cada um destes líderes tenha dado a garantia de que vão ajudar os mais pobres e depois façam isto".
A cimeira do G8, realizada no Japão, custou um total de 358 milhões de euros, o suficiente para comprar 100 milhões de mosquiteiros que ajudam a impedir a propagação da malária em África ou quatro milhões de doentes com sida. Só o centro de imprensa, construído propositadamente para o evento, custou 30 milhões de euros."

terça-feira, julho 22, 2008

Transparências

Há coisas de que podemos falar muitas vezes tendo a certeza de que nunca deixarão de ser nossas. Há outras que guardamos mais para que não fujam de nós, para que não se tornem estranhas e para que, sobretudo, os outros não as deturpem. E há ainda outras que não se referem para não nos despirem sentimentalmente...No entanto, há outras linguagens que, por mais que nos esforcemos, denunciam o silêncio da verbal e, desta forma, não ficamos nus, mas transparentes!

quarta-feira, julho 09, 2008

Almofada especial!

Há uns tempos atrás, o meu pároco, numa homilia, conta a seguinte história.
Havia aqui no concelho uma idosa acamada e a filha estava a tomar conta dela. Num daqueles últimos desejos, a senhora só pedia à filha que, quando morresse, queria levar a almofada que a confortava com ela. A filha sem entender muito bem, dizia sempre que sim ao pedido da mãe. Porém, o rogo insistente da mãe e o impedimento de nem sequer deixar mudar a fronha deixavam a filha cada vez mais intrigada. Um dia, a senhora faleceu. Finalmente, a filha podia pegar na almofada e satisfazer a sua curiosidade. À primeira vista, era uma almofada mais do que normal, além da sujidade que a corrompia. Decidiu abri-la e eis que lhe surge todo o espanto do mundo... Sabeis o que tinha a almofada??? Estava recheada de dinheiro! Verdade....! Numa lógica quase furiosa, a filha não lhe colocou a almofada no esquife, afinal, tinha estado a tratar dela sem lhe cobrar nada e ainda queria levar o dinheiro com ela.
Para que o quereria a defunta? Para subornar a entrada no céu? Ou para precaver a sua sustentabilidade num local onde nada se compra, todo o necessário se conquista em tempo útil de vida?
Por dinheiro, por pedacinhos de terra, por questões mínimas e insignificantes, as pessoas julgam que é o mundo que lhes foge, quando somos nós que fugimos ao mundo e não só: com atitudes destas, fugimos também à verdadeira Vida!

segunda-feira, junho 30, 2008

" Os sete sapatos sujos. "

"Não podemos entrar na modernidade com o actual fardo de preconceitos.
À porta da modernidade precisamos de nos descalçar.
Eu contei "Sete Sapatos Sujos" que necessitamos de deixar na soleira da porta dos tempos novos.
Haverá muitos. Mas eu tinha que escolher e sete é um número mágico:

Primeiro Sapato: a ideia de que os culpados são sempre os outros.

Segundo Sapato: a ideia de que o sucesso não nasce do trabalho.

Terceiro Sapato: o preconceito de que quem critica é um inimigo.

Quarto Sapato: a ideia de que mudar as palavras muda a realidade.

Quinto Sapato: a vergonha de ser pobre e o culto das aparências.

Sexto Sapato: a passividade perante a injustiça.

Sétimo Sapato: a ideia de que, para sermos modernos, temos que imitar os outros."

Mia Couto

quarta-feira, junho 25, 2008

Desencontros


Fez-me lembrar de ti esta imagem...Algo perdida, algo turva... A cadência da água como a cadência da vida que se te manifestou um pouco árdua e trabalhosa desde o início. No entanto, cá estás a fazer-lhe frente. Ainda que com desencontros e com aquelas contradições interiores com que nos surpreende de vez em quando, soubeste e continuarás a saber , à tua maneira, torná-la única e bonita. Não desistas e luta pelo o que queres. O que perdes por desistires tornar-se-á muito mais destrutivo do que aquilo que eventualmente possas perder se lutares.

Beijinho sereno à espera no canteiro de sempre ;)

terça-feira, junho 24, 2008

Medo de quê?

" Aquele que escolhe Cristo não está só, ainda que tenha sido abandonado e traído por amigos e conhecidos; o Senhor está a seu lado, dá-lhe força, anima-o e livra-o de todo o mal.
Animados por esta certeza temos medo de quê? "

quarta-feira, junho 18, 2008

O Vagabundo na Esplanada

(Algo longo, mas não desistais de o ler.)

O Vagabundo na Esplanada

A surpresa, de mistura com um indefinido receio e o imediato desejo de mais acautelada perspectiva de observação, levava os transeuntes a afastarem-se de esguelha para os lados do passeio. Pela clareira que se abria, o vagabundo, de mãos nos bolsos das calças, vinha, despreocupadamente, avenida abaixo. Cerca de cinquenta anos, atarracado, magro, tudo nele era limpo, mas velho e cheio de remendos. Sobre a esburacada camisa interior, o casaco, puído nos cotovelos e demasiado grande, caía-lhe dos ombros em largas pregas, que ondulavam atrás das costas ao ritmo lento da passada. Desfiadas nos joelhos, muito curtas, as calças deixavam à mostra as canelas, nuas, finas de osso e nervo, saídas como duas ripas dos sapatos cambados. Caído para a nuca, copa achatada. Aba às ondas, o chapéu semelhava uma auréola alvacenta. Apesar de tudo isso, o rosto largo e anguloso do homem, de onde os olhos azuis-claros irradiavam como que um sorriso de luminosa ironia e compreensivo perdão, erguia-se, intacto e distante, numa serena dignidade. Era assim, ao que se via, o seu natural comportamento de caminhar pela cidade. Alheado, mas condescendente, seguia pelo centro do passeio com a distraída segurança de um milionário que obviamente se está nas tintas para quem passa. Não só por educação mas também pelo simples motivo de ter mais e melhor em que pensar. O que não sucedia aos transeuntes. Os quais, incrédulos ao primeiro relance, se desviavam, oblíquos, da deambulante causa do seu espanto. E à vista do que lhes parecia um homem livre de sujeições, senhor de si próprio em qualquer circunstância e lugar, logo, por contraste, lhes ocorriam todos os problemas, todos os compadrios, todas as obrigações que os enrodilhavam. E sempre submersos de prepotências, sempre humilhados e sempre a fingir que nada lhes acontecia. Num instante, embora se desconhecessem, aliava-os a unânime má vontade contra quem tão vincadamente os afrontava em plena rua. Pronta, a vingança surgia. Falavam dos sapatos cambados, do fato de remendos, do ridículo chapéu. Consolava-os imaginar os frios, as chuvas e as fontes que o homem havia de sofrer. No entanto, alguém disse:
- Devia ser proibido que indivíduos destes andassem pela cidade. E assim, resmungando, se dispersavam, cada um às suas obrigações, aos seus problemas. Sem dar por tal, o homem seguia adiante. Junto dos Restauradores, a esplanada atraiu-lhe a atenção. De cabeça inclinada para trás, pálpebras baixas, catou pelos bolsos umas tantas moedas, que pôs na palma da mão. Com o dedo esticado, separou-as, contando-as conscenciosamente. Aguardou o sinal de passagem, e saiu da sombra dos prédios para o sol da tarde quente de Verão. A meio da esplanada havia uma mesa livre. Com o à-vontade de um frequentador habitual, o homem sentou-se. Após acomodar-se o melhor que o feitio da cadeira de ferro consentia, tirou os pés dos sapatos, espalmou-os contra a frescura do empedrado, sob o toldo. As rugas abriram-lhe no rosto curtido pelas soalheiras um sorriso de bem estar. Mas o fato e os modos da sua chegada haviam despertado nos ocupantes da esplanada, mulheres e homens, uma turbulência de expressões desaprovadoras. Ao desassossego de semelhante atrevimento sucedera a indignação. Ausente, o homem entregava-se ao prazer de refrescar os pés cansados, quando um inesperado golpe de vento ergueu do chão a folha inteira de um jornal, e enrolou-lha nas canelas. O homem apanhou-a, abriu-a . Estendeu as pernas, cruzou um pé sobre o outro. Céptico, mas curioso, pôs-se a ler. O facto, de si tão discreto, pareceu constituir a máxima ofensa para os presentes. Franzidos, empertigaram-se, circunvagando os olhos, como se gritassem: “ Pois não há um empregado que venha expulsar daqui este tipo!” Nas caras, descompostas pelo desorbitado melindre, havia o que quer que fosse de recalcada, hedionda raiva contra o homem mal vestido e tranquilo, que lia o jornal na esplanada. Um rapaz aproximou-se. Casaco branco, bandeja sob o braço, muito senhor do seu dever. Mas, ao reparar no rosto do homem, tartamudeou:
- Não pode...
E calou-se.
O homem olhava-o com atenta benevolência.
- Disse?
- É reservado o direito de admissão – tornou rapaz, hesitando. – Está além escrito.
Depois de ler o dístico, o homem, com a placidez de quem, por mera distracção, se dispõe a aprender mais um dos confusos costumes da cidade, perguntou:
- Que direito vem a ser esse?
- Bem... – volveu o empregado. – A gerência não admite... Não podem vir aqui certas pessoas.
- E é a mim que vem dizer isso?
O homem estava deveras surpreendido. Encolhendo os ombros, como quem se presta a um sacrifício, deu uma mirada pelas caras dos circunstantes. O azul-claro dos olhos embaciou-se-lhe. - Talvez a gerência tenha razão – concluiu ele, em tom baixo e magoado. – Aqui para nós, também me não parecem lá grande coisa.
O empregado nem podia falar.
Conciliador, já a preparar-se para continuar a leitura do jornal, o homem colocou as moedas sobre a mesa, e pediu delicadamente:
- Traga-me uma cerveja fresca, se faz favor. E diga à gerência que os deixe ficar. Por mim, não me importo.

Manuel da Fonseca, «O Vagabundo na Esplanada», Tempo de Solidão, Lisboa, Arcádia 1973

quarta-feira, junho 04, 2008

A minha Pátria

Estou aqui de passagem. Alguns conhecem-me para além do visível, outros sabem de mim apenas o meu exílio, que é o corpo ou figura que alberga a minha alma. Do corpo cuido apenas o suficiente e o necessário para poder permanecer condignamente nesta sala de espera o tempo que me é facultado. Nele estou emprestada, o corpo não é meu, a alma é que é minha.
Tal como todos os exilados, que não pertencem à pátria que os acolhe, também nós não pertencemos à pátria dos corpos e do mundo onde eles se movimentam. Não significa, todavia, que permitamos tomar conta deles a inércia e a lassidão. Qualquer exilado faz do sonho, da alegria e da vontade de regressar às origens causas justas e imperativas para se manifestar laborioso no sucesso desse objectivo.
A passagem pelo exílio é uma prova de resistência e fidelidade, que nos torna ou não merecedores da verdadeira e única Pátria: " e depois deste desterro nos mostrai Jesus..."

sábado, maio 31, 2008

O coração dos Homens e o Amor de Deus.

O homem vale o que vale o seu coração. E o seu coração vale por onde está e pelo que contém. Se nos afastamos do Amor, não amamos. O Homem é coração e Deus é Amor. O amor, metaforicamente falando, vive no coração e é por isso que Deus permanece sempre em nós, desde que nós estejamos de coração incondicionalmente aberto ao Seu amor. No entanto, amar o Amor é em alguns momentos das nossas vidas difícil, porque amar não é dizer que se ama, é praticar que se ama. Deus pratica-se... O amor de Deus tem como morada o coração dos Homens e o coração dos Homens tem como sentido e função bombear o Amor de Deus.

sexta-feira, maio 30, 2008

Valeu a pena!

Valeu a pena toda uma viagem longa, a luta contra o sono, as poucas horas dormidas...Valeu a pena a espera, o braço dormente de já não mais aguentar o guarda-chuva...Valeu a pena a chuva e os pés encharcados...só para te ver de olhar límpido, cheio de brio e de orgulho saudável. Não te vi passar, mas vi-te de olhos e alma postos no futuro num presente cheio de coragem e optimismo.
Valeu a pena...pelo teu olhar! : )
Beijinho sereno sempre presente***

quarta-feira, maio 14, 2008

Basta-me...

Basta-me filha de Deus, membro da Igreja de Cristo para me identificar. O meu bilhete de identidade é ser cristã a tempo inteiro. Nele não careço de apêndices com outros nomes colectivos a rotular-me o peito e as costas para me complementar de vez em quando.
Ando nua, sem camisolas que equivoquem a coerência e a incoerência, que disfarcem responsabilidades, desculpabilizem e aliviem excepcionalmente consciências.
Ando descalça, mais ao pé de trilhar eficazmente.
As minhas dúvidas ultrapassam o momentâneo, os eventos, o que visto ou deixo de vestir e a visão de quem me observa de forma avaliativa e crítica.
Quem é essencial que me veja, sabe que ando nua, descalça, escondida, com dúvidas e em silêncio...e é aí que nos encontramos...e basta-me!

domingo, maio 11, 2008

Pentecostes

É a solenidade que, de todo o ano litúrgico, me apraz, me renova, me aumenta mais. E, apesar disso, é também a que me esgota de palavras...

sexta-feira, maio 09, 2008

Vitalis ou Mortalis?

Dos poucos minutos em que me distraio com a televisão, cruzo quase sempre os meus olhos com a publicidade da água vitalis. Será mesmo vitalis? Para se publicitar uma água, coisa simples, bem essencial, foram precisos dois corpos em roupa interior, que talvez o pudor de quem os imaginou no anúncio não deixasse que surgissem nus. Lembro-me automaticamente deste anúncio quando, há dias, alguém muito escandalizado me fala de sexo numa escola do segundo e terceiro ciclos entre crianças de 11/12 anos. Sinceramente, eu não me escandalizo! Imaginai uma criança de 11 anos a ver a publicidade. Ao ver dois corpos a enroscarem-se um no outro, tende paciência e não se trata de ter mente preversa, mas a sugestão que avança é a do sexo. É verdade, muito à custa desses morangos com açúcar (que ainda ninguém teve a feliz ideia de terminar) que tanto faz mal aos filhos e ainda pior aos pais, as crianças mais astutas não podem sequer interpretar mais nada ali. Ora, sendo a água um bem essencial, indispensável à vida, o que achais que pensarão do sexo??? Claro....embora para a frente, que atrás vem gente...

quinta-feira, maio 08, 2008

Íman

Estava eu a dizer que precisávamos de um íman gigante...
E então, nesse exacto momento, contam-me a história de um homem que nunca tinha visto um comboio. Porém, um dia, viu um e ficou muito admirado com os "ímanes gigantes" que atraíam as carruagens e que, consequentemente, as faziam puxarem-se umas às outras. ( Olhe que o mundo é pequeno, que tem destes "encontros" surpreendentes sem presenças, senhor padre... : ) ).
Estava eu a dizer que precisávamos de um íman gigante para movimentar, prendendo, os corpos; para prender, movimentando, as almas. Mas depois reflecti melhor: nós temos esse Íman ao dispor. O que é preciso é que as pessoas se deixem imanar. Sem matéria que nos magnetize, de facto, dificilmente nos podemos unir. Uma carruagem com "íman" e outra sem ele não gastam linhas férreas, não percorrem distâncias, não superam metas. Não basta ser uma carruagem, é necessário ser comboio.
Estava eu a dizer, mas já não disse...as palavras nem sempre encontram ouvidos magnetes e nem sempre elas próprias têm o magnetismo oportuno.

terça-feira, abril 29, 2008

Fugiríeis?

Imaginai que isto vos está a acontecer...
Uma manhã de Domingo, durante a missa, uma comunidade de 2000 membros é surpreendida ao ver dois homens entrar, ambos encapuçados e cobertos de preto da cabeça aos pés, armados com metrelhadoras.
Um dos homens proclamou:
- Quem quiser receber uma bala por Cristo fique onde está.
Imediatamente, o coro fugiu.
Os diáconos fugiram...
E a maior parte da comunidade fugiu...Dos 2000 apenas ficaram 20.
O homem que tinha falado retirou o seu capuz... Depois, olhou para o pregador e disse:
- Pronto, Padre, pus todos os hipócritas na rua. Agora pode começar a sua missa! Tenha um bom dia!
E os dois homens voltaram costas e sairam...
(enviado por email)
Tem muito sumo para espremer esta pequena história. Estou certa de que o conteúdo fulcral dela ninguém tem dificuldade em alcançar, mas...
Por que não ficaram os homens também para a missa? Incluiram-se nos hipócritas.... Criticaram, mas não deram exemplo...E se não pertenciam à mesma comunidade religiosa, que direito lhes assiste em testar a entrega total a Cristo daquelas 2000 pessoas?
E a missa não é do padre, é para todos e de todos.

Passagem de testemunho...

" Não tenhas a pretensão de ser inteiramente novo no que pensares ou disseres. Quando nasceste já tudo estava em movimento e o que te importa, para seres novo, é embalares no andamento dos que vinham detrás."
Vergílio Ferreira, in Pensar

terça-feira, abril 22, 2008

Pela fé...na eternidade!

Só pela fé conseguimos entender verdadeiramente o dom da Eucaristia e, mesmo assim, ainda ficaremos muito aquém do que ela significa. Ninguém consegue perceber na totalidade o mistério que ela encerra.
" A Eucaristia é uma gota de eternidade no tempo." * Onde é que nós, finitos e limitados, conseguimos aprofundar até ao âmago uma gota que seja de infinita e ilimitada eternidade? Entra, então, a fé, trabalha a fé e prevalece a fé...como única forma possível de participarmos intimamente neste dom.
De vez em quando, necessito de fugir à Eucaristia da minha paróquia. Quer dizer, não fujo, vou, mas depois tenho de ir a outra sem ser lá. Sinto falta de estar "sossegada", sem ter de me ocupar a ler ou a cantar. Sinto falta de a sentir mais em silêncio, ainda que no meio de gente. Sinto falta de me voltar para dentro com mais intensidade. Depois que ouvi a frase acima citada, magnificamente inspirada pelo Espírito Santo a quem a proferiu, questionei ainda mais esta minha estranha vontade de me ausentar. Se calhar, procuro essa gota de eternidade e também de transcendência. Se calhar, ouso demais...e tal como Tomé, não estarei a dar testemunho vivo de Igreja reunida, mas é-me imprescindível sair da comunidade. Reitero, só de vez em quando!
Só pela fé.......só a fé fará de nós terrenos, onde essa gota possa repousar e fecundar, para além dos nossos apertados horizontes e tempos!
* Alguém escondido numa gota de humildade :) :) :)

terça-feira, abril 08, 2008

Peso e medida

A nossa fragilidade é a pior medida para as palavras dos outros e o melhor peso para o silêncio.
Não se pensa sãmente e não se reage condescendentemente. Tudo parece magoar, quando, na verdade, é a própria vulnerabilidade que fere. E se pensarmos bem, anda-se meio à nora, sem definições concretas para o que incomoda ou incomodou. Somos limitados, porque somos frágeis, não porque somos inferiores em relação aos outros.
Calma...muita calma!

sexta-feira, abril 04, 2008

Caminho de Emaús

Vamos de viagem

Dois dos Teus amigos vão de viagem, sérios, preocupados,
dando voltas à sua cabeça, à vida.
De vez em quando comentam as suas saudades...falam de Ti,
do vazio que deixaste neles, da falta que lhes fazes.
Tu, de repente, pões-Te a caminho com eles, e metes-Te na conversa.
E julgam-Te estranho, porque lhes falas dos profetas.

Quantas vezes andamos assim, Senhor, pela vida!
Preocupados. Procurando-Te, mas sem te encontrar.
Faz que as nossas conversas sejam mais profundas,
que não gastemos tanta energia em ter razão, mas em chegar a acordo.
E sobretudo, que saibamos olhar o outro nos olhos e ver-Te a Ti,
que Tu estás sempre no irmão...
no que faz caminho ao nosso lado.

Agradam-nos mais os grandes discursos do que os encontros.
Partilhamos trabalho, refeições, viagens...mas não partilhamos a vida.
Estamos próximos, muito próximos, juntos todo o dia,
mas não falamos de nós com o coração nas mãos.
Ensina-nos a partilhar, a compartilhar de verdade a vida,
não só a borga, o aperitivo e a última notícia; não, Senhor;
ajuda-nos a manter conversas íntimas,
das que ajudam a ser e a viver, das que se parecem com as Tuas.
Fica connosco, para que sejamos Tua presença no nosso mundo.

Oração à palavra de Domingo- Ano A - Álvaro Ginel e Mari Patxi Ayerra

quarta-feira, abril 02, 2008

Jovem...sempre!

«Alguém se inclinou longamente sobre mim.
(...) Este doce inclinar-se, cheio de frescura
e ao mesmo tempo de calor
é silenciosa reciprocidade.
Fechado naquele abraço - como se fosse uma carícia no rosto
após o qual surge espanto e silêncio, silêncio sem palavras
sem nada compreender nem comparar,
naquele silêncio sinto, sobre mim, o inclinar-se de Deus.»

Karol Wojtyla ( com 26 anos de idade)

segunda-feira, março 31, 2008

Onde está Deus quando acontecem coisas más?

Somos assim, sempre seremos assim, acusadores da inverosímil ausência de Deus aquando de situações dolorosas. Eternos ignorantes do significado dos silêncios e dos desígnios de Deus. O mistério aniquila-nos a inteligência e só a alcançaremos na fé...e de facto, nalguns casos, numa fé sem palavras. Palavras nossas, em jeito de consolação aos que sofrem, e palavras dos que penam, que só a acção do Espírito neles poderá iluminar . Não sabemos dar resposta a tudo, porque há perguntas que nos ultrapassam em larga medida. Deus concede-nos inteligentemente o silêncio para argumentar a Sua vontade.
Ao Amigo que me confrontou com tão pertinente questão e ao qual eu respondi que Deus está precisamente onde costuma estar quando acontecem coisas boas. E ele sabe isso! : )
Abraço sereno

Fertilizante que nos torna compactos...

" Todos podem ser grandes, porque todos podem servir." Martin Luther King

quarta-feira, março 26, 2008

Viagens

Nunca nenhuma viagem será em vão. :) Ainda que sofras nela, que te " desesperes " por não lhe veres o horizonte desejado, não poderá nunca ser por razão nenhuma. De certeza que não aprendeste a caminhar na primeira tentativa que empreendeste...De certeza que ainda te esperam muitas viagens e algumas delas tão inglórias, mas bastante educativas!!!!Deus ama-nos, mas também nos educa... ;)
Viaja...não tenhas medo do caminho nem do que ele te exigirá!

Lareiras...

Lareiras...De fogo brandinho vão aquecendo corações resfriados, com calma, de mansinho. Chama feita de toques delicados, de olhares abrangentes que desnudam os sentimentos, de sorrisos espaçosos ...... Brasa de boa lenha que permanece reinante por muito tempo. Não queimam, não acinzam...Acalentam e matizam gradualmente com distinção e ocultamente.
Lareiras ateadas com acendalhas transcendentes, lareiras humanas inflamadas pelo dom de saber aquecer, longe ou perto!
Lareiras sem fogo, só para decoração! Ainda bem, que há ainda quem faça a diferença e quem não se importe de se consumir.

Teatro

Aparecei...Promete ser engraçado!

Advertência: teatro apenas no palco para o efeito, não no palco da vida.

Tranquilizante: podeis ir descansados, porque eu não vou representar. :):):):):):):):):):)


Beijinho sereno

terça-feira, março 25, 2008

Pedir

Toda a gente carece e, por conseguinte, toda a gente pede. Ainda que uns mais do que outros, mais directa ou indirectamente, a alta voz ou no resguardo do silêncio íntimo do coração, talvez o que se faça mais seja pedir, mais até mesmo do que amar.
Acção inata e incessante entranha-se nas palavras, nos gestos, nos olhos, nas mãos, tornando-nos seres irremediavelmente pedintes. Bom augúrio quando o pedido é carregado de humildade, verdade, sensatez e realidade possível ou, pelo menos, provável. Porque nem tudo se deve pedir e nem a toda a gente. Imagino Deus já contando umas quantas inimizades por se ver a braços com requerimentos urgentes para quem pede, mas inconcebíveis na perspectiva dEle. O que pedimos, a quem pedimos e como pedimos...importantes estes três aspectos. Merecemos, de facto, o que imploramos? Pedimos a quem devemos e no momento certo? Às vezes falta-nos esse discernimento, porque o egoísmo,o bem próprio e também o desespero transpõem o muro do altruísmo e do bom senso. E depois vem a raiva, visto que os pedidos não foram concedidos e a quem se pede deixa de ser bom ou útil. Contai as vezes que pedis e as vezes que agradeceis...notai a diferença! Não é mal pedir, já diz o povo " Quem não pede, Deus não ouve", mas peçamos com calma e lucidez de espírito! Sejamos justos com o que pedimos...

terça-feira, março 18, 2008

A humilhação e o orgulho

Não se sabe até que ponto estes dois nomes abstractos têm um acordo entre si. A humilhação pode ser um motivo de orgulho e o orgulho pode levar à humilhação. Diante destas duas hipóteses, a de se humilhar e a de se ser orgulhoso, dificilmente o ser humano opta pela primeira. A humilhação rebaixa e há que ser forte. Não duvido e também não discordo, dependendo de que humilhação se trata. Quando perdemos os momentos exactos de agir, desperdiçamos também a oportunidade de não gerarmos situações mais delicadas. O orgulho de nos quedarmos nesses momentos, conduz-nos à humilhação que se avizinha. Pensa-se, por isso, que nem sempre temos de ceder e já o orgulho está de mãos dadas com a humilhação. Nunca se vêem juntos...um dá lugar a outro!
Confuso? Complicado? Sim, quando as razões para se ser orgulhoso ou para se humilhar não são saudáveis...

segunda-feira, março 17, 2008

A tolerância e o diálogo fazem muito...

Parabéns aos nossos jovens...Quando querem, como alguém dizia, são mesmo capazes de avançar e de dar muito à Igreja! Obrigada pelo esforço e pelo empenho. Que esta nossa chama, ainda que ventos ameacem extingui-la, se mantenha firme, fiel, paciente e perene.
Parabéns às crianças da catequese que numa presença forte e quase completa embelezou em muito a celebração de Domingo de Ramos.
Obrigada ao senhor padre por puxar por nós e por nos ajudar a puxar por ele... :) :) Os leigos também fazem o sacerdote que os serve...
Obrigada a todos que colaboraram... :) :) :)
Obrigada, Jesus, por me ensinares a louvar...

sexta-feira, março 14, 2008

Casas em chamas

Imaginai que a vossa casa está a ser consumida por um fogo intenso e que, entretanto, sois chamados a, senão a apagar, pelo menos ajudar a acalmar outros fogos, noutras casas. O que faríeis?

terça-feira, março 11, 2008

A Zé afirma e eu questiono....

Não interessa para onde se vai, mas a razão por que se vai?

Eça Agora

Eça Agora, Os Herdeiros de Os Maias é uma obra escrita por 7 autores, a 14 mãos, segundo os mesmos. Ainda que um pouco renitente quanto à sua leitura, lá foi comprar o livro para o ler. E só pensava: "vou desiludir-me, vou ficar à espera de algo parecido com o meu Eça e vai ser uma baldada de água fria que até me vou arrepiar." Não podia sequer pensar que alguém pudesse chegar à escrita musical, assertiva e inteligentemente crítica do meu Eça. Embora desta obra façam parte escritores que eu aprecio, confesso que duvidei da astúcia dos mesmos. E de facto, ainda que nada se assemelhe a Eça de Queirós, deparamo-nos com uma obra que representa a realidade de hoje. Uma escrita pertinente e perspicaz, com uma crítica severa à corrosão da nossa sociedade, com um toque de facilitismo em que todos parecem andar envolvidos e com um positivismo tremendo que faz muita gente sonhar! No fundo e no fim, fez-me lembrar uma telenovela, onde tudo está e acaba bem! Eça de Queirós, ao qual também são dadas algumas intervenções, é invocado numa sessão espírita e só João da Régua escuta e procura colocar em prática os conselhos que recebe do além. Se tivesse mesmo oportunidade, o que não diria Eça de nós hoje!!! Mas gostei...não pela história em si, mas pela incrível coincidência de enquanto estar a ler, e ainda que consciente de sociedades diferentes, eu nunca me ter afastado da obra original que deu origem a esta obra aventura, aliás muito bem conseguida!
Essa agora! Parecem coisas mesmo do além... :)
Se tiverdes oportunidade, lede... :)

De mais ninguém senão de ti...

" De mais ninguém, senão de ti, preciso
do teu sereno olhar, do teu sorriso,
da tua mão pousada no meu ombro.
Ouvir-te murmurar: espera e confia.
E sentir transformar-se em alegria
o que era, antes, confusão e assombro."

Carlos Queirós

sexta-feira, março 07, 2008

Mulher Humanidade

Força nascida lá longe,
no tempo dos tempos
sempre acrescentada,
entre o primeiro dia e do de hoje,
aí estiveste, aqui estás,
Teu nome, Mulher!

Porquê o Dia Internacional da Mulher? Por que não um Dia Internacional do Homem? É preciso um dia para lembrar as mulheres? São precisos dias para lembrar a Humanidade?
Os homens que não fiquem enciumados com a reserva deste dia para as mulheres. Se há necessidade de o celebrar, é porque algo não funciona muito bem nos restantes dias do ano! Oxalá, cheguemos ao tempo em que não haja Dia Internacional da Mulher...ou, por exemplo, da Paz!!! Oxalá, cheguemos ao tempo de todos os dias serem da Humanidade com Paz!

quinta-feira, março 06, 2008

À velocidade do gafanhoto ou ainda mais...

"A bibilhotice é como o gafanhoto: só desanda quando não resta mais folha para roer." *
Como correm as palavras!!! Nem os gafanhotos são tão diligentes a roer as folhas. A notícia espalha-se num ápice, tem vitaminas para alimentar a sede de informação alheia e de assuntos das nossas gentes. Eu própria me parece escutar pela primeira vez o que já sei, de tantas vezes que me repetem a mesma coisa! Será que não há mais nenhum tema de conversa?
Mais uma vez eu digo, se não temos que dizer, mais vale ficarmos calados! Eu sei que as notícias correm velozes, mas deviam respirar apenas nas pessoas que de certa forma se envolvem na questão. É bom falarmos acerca do que nos incomoda, mas atenção, é importante e mais indicado falarmos com as pessoas certas. Nem toda a gente nos sabe escutar e nem todos interpretam correcta e saudavelmente o que se lhes diz em jeito de desabafo...ou será que também alimentamos bisbilhotices? Fica a questão para reflexão futura...
*in Na Berma de Nenhuma Estrada, Mia Couto

Para ti que talvez não me leias...

Nunca mais
Nunca mais
Caminharás nos caminhos naturais.
Nunca mais te poderás sentir
Invulnerável, real e densa -
Para sempre está perdido
O que mais do que tudo procuraste
A plenitude de cada presença.
E será sempre o mesmo sonho, a mesma ausência.


Sophia de Mello Breyner Andresen

quarta-feira, março 05, 2008

O loureiro

Era uma vez um rio que corria pela planície verdejante. Nas suas margens foram crescendo muitas e variadas árvores, que bebiam da água da corrente e assim conseguiam manter-se viçosas, mesmo quando chegavam os calores do Verão.
Todas essas árvores gastavam as suas energias em ser muito altas, em ter muitas folhas, em dar flores e produzir frutos. Mas pouco ou nada se preocupavam com as raízes.
Por isso, o loureiro dizia-lhes:
- Eu prefiro investir a minha energia em ter boas raízes. Só depois pensarei na folhagem.
As outras árvores, orgulhosas por serem belas, riam-se do loureiro. Diziam-lhe:
- Loureiro, por que queres tantas raízes? Olha para nós que, mesmo com poucas raízes, somos muito belas.
O loureiro, apesar disso, não mudava de opinião. Dizia-lhes:
- Não fazeis caso das raízes. Oxalá que não venhais a arrepender-vos!
Um dia, veio uma grande tempestade que sacudiu todo o bosque. As árvores maiores, com grande ramagem e fracas raízes, caíram quase todas. O loureiro, como tinha boas raízes, permaneceu de pé.
As árvores que sobreviveram à tempestade aprenderam a lição do pequeno loureiro, e passaram a interessar-se em investir nas raízes.
in Toma e Lê, Pedrosa Ferreira

terça-feira, março 04, 2008

Pergunta extremosa, distraída, humorística ou outra qualificação qualquer???

Uma instituição de saúde adquiriu uma nova viatura para optimizar os serviços prestados à comunidade. Alguém se lembrou de que o automóvel haveria de ter uma madrinha. Para quê e porquê? Não sei, talvez só por motivos de rima, madrinha rima com carrinha...fica chique! Trataram de escolher a dita cuja e dirijindo-se ao senhor padre, surge a questão fenómeno: " É preciso alguma preparação para se ser madrinha de uma carrinha?" ... Valham-me todos os santos... Estavam à espera que o pároco lhes respondesse o quê? Que era necessário fazer ou voltar a fazer o código e a condução? Se calhar, se fossem baptizar uma criança não se preocupariam com essas coisas,que é mesmo assim que as designam, de coisas, com essa coisas de preparações para se ser madrinha ou padrinho. OS OBJECTOS NÃO SE BAPTIZAM...quando muito,benzem-se. Desculpai-me a banalização, mas seria o quê? Uma viatura movida a Espírito Santo? E os humanos mover-se-iam a gasolina, não? De facto assim sendo, não admira que se mimem objectos e se usem as pessoas. Por favor!!!! Onde é que estamos???

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Abaliaçom do Prufeçôre do mêu Filho

As razões dum Pai

O gajo não presta. O gajo fala, fala, fala, mas o puto não entende pêva do que ele está práli a dizer e por isso é que não aprende.Depois, só porque o puto recebe uma mensagem no telemóvel, que até fui eu que lha mandei porque ele tinha deixado o gato fechado na cozinha,põe-se aos gritos com ele que preturba a aula. Preturba mas é o c....que o gato podia dar-nos cabo do almoço.O gajo é mas é parvo. Não tem compreenção pelos alunos, é o que é.Deu nega ao meu puto, mas agora quem vai ter a nega é ele! E vamos aver se pró ano, se calhar outra vez ao puto este gajo como professor,ele não le vai dar uma nota de jeito... não percisa ser um 5, que eu também sei que o meu puto não tem grande queda para os estudos, mas o que ele não tem é de andar praí a perjudicar o futuro dos miudos que assim com notas dessas, como é que vão comseguir tirar as facoldades?

O gajo quer é ser ele e os da sua laia a serem dotores só eles.

Eu cá já decidi. Nota negativa!

Mai nada!

(Enviado por email)

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Professores combalidos, sociedade doente...

" Os juízes julgam os homens que infringem a lei, os professores preparam-nos para que jamais se sentem no banco dos réus. Os psiquiatras tratam dos homens psiquicamente doentes, os professores educam-nos para que sejam sempre saudáveis. Os soldados aprisionam os homens que cometem os crimes, os professores educam-nos para que sejam sempre livres.
Os professores são poetas da vida. Precisam de recuperar a auto-estima. A esperança do mundo está sobre os ombros da educação. No entanto, a mais nobre das profissões tem-se tornado uma fábrica de stress. Por isso, a educação moderna tem de ter em alta conta o treino da emoção." *
Até me podeis dizer que nem todos os professores se preocupam, trabalham e pensam desta maneira na profissão que adquiriram e exercem,que se sedentarizaram nas rotinas e folhas que o tempo amareleceu, mas não se trata de avaliar aqui técnicas pedagógicas e muito menos de julgar ninguém, porém vale a pena reflectir sobre a profissão que, embora ainda nobre, se torna cada vez mais pobre...
* Treinando a Emoção Para Ser Feliz, Augusto Cury

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Não me apeteceu rezar...

Anteontem foi ao encontro do meu melhor amigo. Os amigos quando estão juntos colocam a conversa em dia, partilham novidades, sentimentos, opiniões. Nós, porém, permanecemos calados durante todo o tempo que o encontro durou. Verifiquei que, de igual modo, outros O procuraram e não me apeteceu encher-Lhe os ouvidos de preces, não me apetecia mesmo rezar, nem pedir, nem agradecer, mas fiquei ali sentada ao longo de minutos que não contei. Se tive pensamentos, deles não me recordo, tudo tem outra dimensão ali, só assim no silêncio...Enquanto Ele arquivava orações quem sabe para efeitos futuros de defesa pessoal dos orantes diante dEle próprio, as palavras todas se ausentaram de mim. Quando vim embora, pedi-Lhe desculpa por O ter incomodado para Lhe dizer nada. Respondeu-me sem palavras também, afinal eu merecia, mas encheu-me de confiança e de paz.
Ontem cheguei à igreja não para silenciar, mas para cantar. A espécie humana tem destas coisas, uns dias calam, outros dias cantam. Esperava vê-lo cá fora, ele está sempre cá fora, no entanto, desta vez não estava. Achei estranho, tinha quase a certeza de que ele não faltaria à cantoria. Decidi entrar para cumprimentar o meu melhor amigo e o coração bateu-me mais forte de espanto e de alegria. Diante do altar, bem lá no cima, bem pertinho dEle, sozinho, estava ele meio embrulhado no escuro e em silêncio...
Parece que andamos todos de palavras gastas e eu bem sei que aquela atitude, para mim e só para mim, não foi mera coincidência...

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Lâmpadas egoístas?.....

A meio da conversa, em escrita mordaz e linguagem metaforizada pergunta-me e responde-me:
- Sabes quantos psicólogos são precisos para mudar uma lâmpada? Apenas um, o que é preciso é que a lâmpada queira ser mudada.
Respondi-lhe:
- Naturalmente. A lâmpada só quererá ser mudada se estiver completamente fundida, sem réstia de esperança.
Retorquiu-me:
- E será, porventura, egoísmo da parte da lâmpada querer ser holofote se tiver capacidade para tal? Não poderá a sua luz ser mais útil e mais brilhante noutro sítio?
Entendendo-lhe a perspicácia, afirmei-lhe:
- Só Deus compreenderá o potencial de uma lâmpada e só Ele lhe poderá ajudar a determinar a intensidade e o lugar da sua luz. A luz nunca é demais onde sente e sabe que é precisa neste momento. E embora saiba que está algo mal atarrachada, a lâmpada acredita e aceita que é útil aqui e agora...E se assim não fosse, creio que estariamos todos às escuras!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

A vida espera por nós se....

Bateu-me no vidro com um sorriso humilde e contra o tempo! Assustei-me, tinha acabado de entrar e estava atenta a que não viesse nenhum automóvel para poder sair do estacionamento. Abro o vidro e a senhora desfaz-se em desculpas.
"- Desculpe estar a incomodar, mas precisava que me fizesse um favor."
Não faço a menor ideia de quem era a senhora, mas prontifiquei-me a ajudar no que ela precisasse, se assim o pudesse cumprir.
"- Precisava do seu talão de estacionamento. Apanhei uma multa e pedem-me um talão que tenha sido tirado às 16h10m, hora da multa. De facto, deixei passar o devido tempo e não renovei o talão, mas se me pudesse ajudar, agradecia."
Olhei para o meu e, com muita pena minha, fazendo as contas não ia bater certo, pois eu tinha tirado o talão às 16h30m. De qualquer modo, deixei-o ficar com a senhora, que ficou depois a percorrer a fila dos carros e a apanhar alguns talões que alguém negligente deitou para o chão.
Não a pude ajudar, assim como também se torna árduo ajudar alguém que deixa a vida estacionada e se esquece dela. No entanto, ela nunca se esquece de nós e, por isso, para que acordemos, multa-nos com pequenas coisas às quais não sabemos a maioria das vezes atribuir significado. É ela a reclamar atenção...Distracções com algo de menor valor, fazem-nos relegar a vida para segundo plano, quando ela precisa de constante atenção, ainda que nos pareça aborrecida. Tudo tem o seu tempo e, se nos distraímos, esse tempo esvai-se num ápice...e a vida só espera por nós se a soubermos aceitar, mobilizar e rentabilizar.
Um fim-de-semana cheio de vida
Beijinho sereno

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

A peça que falta...

"Habituamo-nos a tratar os amores como electrodomésticos: quando se escangalham, vamos ao supermercado comprar um novo, igualzinho ao que o outro era. Consertar? Não compensa: o arranjo sai caro, além de que nunca se sabe muito bem onde procurar a peça que falta." *
A peça que falta é o amor autêntico e firme! Numa sociedade intolerante, seria óptimo que, realmente, o Amor não fosse banalizado, desperdiçado e comercializado!
*in Nas Tuas Mãos, Inês Pedrosa

quarta-feira, fevereiro 13, 2008

Uma vez sem exemplo.

Veio sorrateiramente ter comigo, com aquele sorriso de esguelha e matreiro que eu sei que traz algo para contar. Silenciosa e sorridente também, aguardei que ela falasse. Falou sem grandes delongas e rodeios e deu-me depois espaço para a minha opinião ou comentário. Ela também já me conhece e já devia fazer ideia do que provavelmente eu lhe diria.
Entrou agora na adolescência e a fase mais crítica ainda está para vir. Sabemos que nesta grande revolução de hormonas por mais que se lhes diga, parece que nada lhes convém. De qualquer modo, falei e manifestei-me contrária à atitude dela. Ela sabia que o ia ser...Procurei também falar directamente e não ir muito ao âmago da questão, o importante é fazermo-nos entender e não os rodearmos com matérias profundas. Escutou-me atentamente e quando acabei disse-me que tinha sido uma vez sem exemplo e sorriu, de forma diferente já. Uma vez sem exemplo...aquela vez pode não ter exemplo, mas serve ou poderá servir já de exemplo, basta uma vez para exemplo. Falei-lhe da atenção que devemos dar a estas vezes, pois as ocasiões para se repetirem voltam e não as reconhecemos ou não queremos reconhecer como gémeas das outras. No fim da conversa e sem tornar repetente o assunto, voltou a dar-me um sorriso igual ao primeiro e eu entendi-a bem...se tiver oportunidade voltará a fazer o mesmo! Não lhe podia dizer mais nada. Mais tarde ela virá a compreender e aprender com as vezes dela!

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Sem fermento

A manteiga encontrou-se com o açúcar, aos quais se juntaram três ovos, uma raspa de limão e um pouco do sumo do mesmo. Para terminar o combinado, a farinha não quis faltar, mas não pode participar. Misturado com ela devia estar o fermento que não marcou presença e se fez muito rogado. Ficou o bolo por fazer...Faltava-me o fermento...A uma hora da noite já adiantada, fechei os olhos para não me exasperar, pois eu tinha a certeza de haver fermento em casa, não me tivesse eu esquecido de que a minha irmã o tinha levado uns dias atrás.
Bem, paciência! Sem fermento nada feito e o bolo teve de ficar para o dia seguinte.
Nem de propósito, esta adversidade. Foi deitar-me a pensar no fermento, uma substância insignificante em grandeza, porém que faz toda a diferença. Pode ter-se tudo, mas se nos falta o que nos faz crescer, de nada nos servirão os restantes ingredientes e empreendimentos que possamos realizar.
Tinha chegado de uma reunião do grupo de jovens...Como é difícil...! Por vezes, tenho um certo receio de "exigir" demais ou "exigir" o que não podem dar. E muitas das outras vezes, não sei se utilizo bem o fermento ou se as pessoas não se deixam fermentar. Não sei...Não sei nada...Resta-me apenas pedir que Jesus me ajude a permanecer-Lhe fiel...

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Faz-me fiel....

Faz-me fiel, Amigo Jesus, faz-me fiel...

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

"Somos o que fazemos, mas somos, principalmente,o que fazemos para mudar o que somos." *

Esta semana foi semana de ouvir e calar e a muita gente lhe apeteceu dizer algo.
Saio em defesa dos jovens sempre que os bons argumentos e factos assim mo permitem. Porém, também reconheço que nem sempre são dignos disso. Confesso que, apesar de muitos serem os dedos e as línguas, sobretudo as línguas, apontadas injustamente para nós, sim, porque também eu sou jovem, esta semana refutei toda a verbosidade com o silêncio. Um silêncio dorido, assumo!! Muitas vozes a bichanarem-me aos ouvidos deixam-me exausta...e o que mais me consome não é a acusação das vozes, é o vulto de razão que elas carregam e justamente.
Falta muita coisa...tanta coisa...coerência entre actos e vontades, humildade, serviço...Falta testemunho vivo e esse vê-se...
Não somos detentores de todo o conhecimento e não somos os melhores do mundo! Por isso é que é necessário saber reconhecer as nossas limitações e trabalhar para as diminuir, sabendo que outras tantas aparecerão... Falta mudar o que somos...Falta ser e eu não encontrei palavras esta semana, porque estou cansada......e sem argumentos!!!
*Eduardo Galeano

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

"Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar."

Quarenta dias penitenciais para uma nova oportunidade, para reflexão, para reconciliação, para renascimento, para vitória. Inicia-se o tempo quaresmal com a celebração da imposição das cinzas. Lembra-me, de facto, a morte, quando elas nos são derramadas sobre a cabeça, talvez em jeito de nos fazer reviver depois mais fielmente a alegria da ressurreição. Arrepia-me esta prática! Não sei porquê, nem me incomoda a certeza de morrer fisicamente.
"Lembra-te que és pó e ao pó hás-de voltar."
Lembra-te de que a oração é meditada, prolongada e até isolada.
Lembra-te de que o jejum não é tão somente tirar à boca, mas também tirar a todos os outros órgãos portadores de sentidos.
Lembra-te de que a esmola é na generosidade límpida, genuína e secreta que tem o seu maior valor.
Lembra-te de que nada és e que tudo o que te traga vanglória diante dos homens não te eleva aos olhos de Deus.
Lembra-te de que a oração, o jejum e a esmola só serão válidos se vividos no ânimo do Espírito.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

A solidão cheira...intensamente!

Não são casos singulares e nem estão em vias de extinção. Moram sozinhos e a solidão para eles tem um cheiro forte e superabundante!
A cada passo o telefone toca e do lado de lá uma voz queixa-se de um cheiro insuportável lá em casa e pede para ajudar a encontrar uma solução ou pelo menos verificar qual a origem do odor. A quem lá chega não cheira a nada, mas os queixosos insistem no ar pesado e incomodativo que respiram. Por vezes, o único cheiro que lá se pode sentir é o de ambientadores vaporizados, propositadamente lançados para que, de facto, cheire a alguma coisa.
Moram sozinhos, de idade já entrada no tempo e ainda que a filha ou o filho more por cima ou ao lado, continuam a morar sozinhos numa solidão que quebranta os outros sentidos. Cheira-lhes intensamente a qualquer coisa e não querem distinguir a solidão. Ainda que por breves instantes, quem lhes acede ao pedido torna-se numa fonte de energia e atenção a que normalmente o abandono não dá lugar.
Cheira-lhes a solidão, vêem o desprezo, sentem a amargura, olham o nada e ouvem o silêncio. E afinal não são apenas os sentidos dos mais idosos que estão debilitados, são também os dos mais novos que não cheiram, não vêem, não sentem, não olham e não ouvem mais nada para além do bem-estar próprio...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Profissionais de saúde

São pessoas iguais a todas as outras. Têm dias melhores e dias piores. Costumo dizer que cada ser humano, empenhado no que quer que seja, deve dar de si o seu melhor, não importando se está de bom ou de mau humor. E se o trabalho implica relações públicas, então aí é assunto ainda mais delicado.Só existem duas hipóteses: ou nos esforçamos por realmente ser o melhor de nós ou abandonamos a função, o que pelo menos seria o mais sensato. Por quê apontar exactamente profissionais de saúde? Porque eu acho que têm de ser pessoas portadoras de uma humanidade inquestionável. Lidam com pessoas doentes e como se não bastasse esse infortúnio, deveis calcular que ser atendido por uma pessoa mal encarada poderá ser ainda mais doloroso. E pior do que alguém maldisposto, é alguém indiferente...não olha, não toca e quase não fala!
É óbvio que há pessoas imensamente dotadas para exercer funções que exigem carismas acentuadamente filantrópicos, mas outras bem que podiam ter uma disciplina adicional nos currículos e ainda assim talvez ficassem àquem das expectativas ou até mesmo reprovassem.
Não estou com isto a querer ilibar todas as outras profissões, o bom humor e a simpatia assentam bem em qualquer uma, mas seria bom não adoentar também os espíritos de quem já sofre fisicamente. E dias pesados, toda a gente os tem...

Pessoas :)

Às vezes gostava de conhecer tão bem os números como sinto as pessoas. Era bem provável que ganhasse a lotaria...

quarta-feira, janeiro 30, 2008

" As estrelas são os olhos de quem morreu de amor. Ficam-nos contemplando de cima a mostrar que só o Amor concede eternidades."

Mia Couto

Oração morta???

Nunca entendi muito bem a razão de os defuntos levarem um terço nas mãos. Podem dizer-me que é tradição, que é sinal da devoção e crença da pessoa, mas mesmo assim confunde-me. Dá-me uma ideia de oração morta e parece que só seremos reconhecidos por o levarmos entre as mãos. Ainda que o tenham desfiado muitas vezes na terra, continua a fazer-me confusão. E às vezes dá-me a sensação de que não é mais do que um último pedido do defunto "Rezai por mim". Os que cá ficam têm a obrigação de o fazer, mas algumas vezes também me parece que a oração é mais morta para os vivos do que para os mortos. Não compreendo muitas coisas, sei muito pouco e tenho ainda mais dúvidas. O terço que também morre nas mãos do defunto é também uma espécie de passa a tarefa de rezar para quem já não o pode fazer. Como se deve estar num velório? Há quem se disponibilize para rezar o terço, há quem chore a perda do ente querido, há quem permaneça calado em união com o sofrimento dos outros...e há quem fale, fale, fale...alto, alto, alto... e de coisas banais que não têm lugar ali. Onde é que a oração estará mais morta? No defunto ou na boca de quem a pode proferir e não o faz?

domingo, janeiro 27, 2008

Vocação...

A vocação é um chamamento, uma inclinação para certo género de vida. Cada um com os seus dons e talentos procura dar a melhor resposta ao que interiormente fervilha, natural e inevitavelmente, sem cessar. Há pessoas que a encontram facilmente e há outras que se prolongam mais um bocadinho na escolha do trilho mais adequado e ajustado.
Hoje sinto necessidade de dizer que, para mim, a vocação não é feita nem reconhecida com elogios, cheia de palmadinhas nas costas, para nos fazermos bonitos à frente de alguém. A vocação é silenciosa e propaga-se de mansinho por todos os poros da alma, até se impregnar por completo, a fim de concretizarmos o mais perfeitamente possível a nossa missão, seja ela qual for. E mesmo depois de descoberta, a vocação continua a ser silenciosa nas obras das nossas mãos... Se não existem certezas daquilo que realmente nos compete fazer, deixemo-nos estar calados, só assim poderemos escutar atentamente o que Deus nos sussurra ao coração e Lhe deixamos espaço aberto para que manifeste o que quer que nós façamos. Só no nosso silêncio com Deus seremos capazes de ter convicções.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Aquela porta...

Tem dois olhos grandes, anormais, em forma de rectângulos dispostos na vertical; um nariz disfuncional que não recebe cheiros, apenas tactos; e uma boca opaca, muda, com uma abertura própria para só deixar passar palavras escritas. Não sai do sítio e consegue ultrapassar-me, aquela porta! Consciente das limitações que me couberam em sorte, aquela porta limita-me para lá do que eu seja incapaz de realizar. Parece que divide o mundo ao meio e metade desse mundo eu não consigo ( ainda? ) percepcionar. Mostra-me a esperança e mostra-me o desalento, dependendo se a minha acção é sair ou entrar. Na lógica, devia entrar na esperança e sair do desalento, porém, absurdamente, entro no desalento e saio com esperança. É indefinível para mim e imperceptível para quem não lhe atravessa a soleira constantemente, por isso, já não digo a ninguém que aquela porta é mais do que isso mesmo, já não deixo que ela oiça os meus limites para me poder ultrapassar. Continua a dividir-me o mundo, mas enquanto isso, eu vou estando no silêncio da resignação para um dia deixar de ter dificuldades em compreender do que é que ela é realmente feita, e não é de alumínio!...

terça-feira, janeiro 22, 2008

" O bom do caminho é haver volta. Para ida sem vinda basta o tempo."

Mia Couto, in " Um rio chamado tempo, Uma casa chamada terra "

domingo, janeiro 20, 2008

O Cavaleiro da Armadura Enferrujada

Fez-me lembrar tempos acentuados e críticos da história ( se bem que ainda hoje haja resquícios desses tempos ), em que se liam livros censurados à luz da lanterna, debaixo dos cobertores. Leu o livro " O Cavaleiro da Armadura Enferrujada " à luz da lanterna. Não porque seja um livro interdito, mas porque lhe apagam as luzes às 22 horas, visto estar na formação de militares da G.N.R.
Podia resignar-se e acolher a escuridão com o sono, mas prefere ler. Tem uma vontade enorme de se instruir interior e espiritualmente, de avançar e de contrariar o negrume exterior com o brilho interno dele. Não permite, de maneira alguma, enferrujar-se..........

sábado, janeiro 19, 2008

Muito mais do que uma visita...

Depois de algum tempo, fisicamente impossibilitada de ir à catequese, a catequista regressou hoje à sua pequena missão! Antes do início do tema, o Sr.Padre tem por costume abeirar-se do grupo do terceiro ano com meia dúzia de perguntas, geralmente referentes ao Evangelho do Domingo anterior. Mas hoje fez uma questão diferente. "Sabeis por que é que a vossa catequista tem faltado?" Uma menina de braço no ar aprontou-se logo a dizer que era por ter sido operada. "E vós fostes lá visitá-la?", continuou ele. E todos os meninos se calaram, como se uma culpa terrível se abatesse sobre eles. "Ninguém foi?Mas então não sois amigos da vossa catequista?" E os meninos continuaram em silêncio. A catequista falou neste momento e disse, para de certa forma os "acalmar", que sabia que todos eram amigos dela e que não tinha ficado nada triste por não terem ido vê-la. Afinal, alguns até nem sabiam...Acalmar, sim...Pois, quando olhou para a pequenina que tinha respondido à primeira pergunta do Sr. Padre, esta tinha os olhos cheios de lágrimas, não as deixou sair, a mexer-se constantemente na cadeira, mas não sabia mais como conseguir rete-las. Desejando a catequista que o Sr. Padre não insistisse na questão, aquela criança tinha-a tocado profundamente, porque aquela menina lhe tinha manifestado, ali, o verdadeiro dom de ser, de nos tornarmos crianças, que inesperada e incrivelmente tomam a consciência que um adulto tem algumas vezes dificuldade em possuir!Porque aquela menina lhe fez muito mais do que uma visita!Em muitas ocasiões, para nos visitarem é preciso realmente estarmos abertos à visita dos ensinamentos que um pequeno ser nos pode oferecer.
No final, todos cantaram e sairam da igreja com um grande sorriso no rosto. :)

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Atei os meus braços com a tua Lei, Senhor,
E nunca os meus braços chegaram tão alto.

Ceguei os meus olhos com a tua Luz, Senhor,
E nunca os meus olhos viram tão longe!

Só desde que Te dei a minha alma, Senhor,
Ela é verdadeiramente minha.

Por isso, hei-de subir até à Vida,
Despedaçando o corpo na subida.
Por isso, hei-de gritar, de porta em porta,
A mentira das noites sem estrelas;

Hei-de fazer florir açucenas nos meus lábios;
Hei-de apertar a mão que me castiga;
Hei-de beijar a cinza dos escombros;
Hei-de esmagar a dor
E hei-de trazer, aqui, sobre os meus ombros,
A tua cruz, Senhor!

Hino do Ofício de Leitura das Sextas-feiras

quinta-feira, janeiro 17, 2008

Um todo...


Quem os ouvir falar parece que só têm metade da cara! Fulano ou sicrano é a minha cara metade. E agora pergunto: quem fica solteiro anda a vida toda desfacelado?Ou será que completar a cara é só direito ou possibilidade de alguns? Cada ser humano é um todo e, portanto, não pode em circunstância nenhuma andar por aí partido ao meio! Um todo unido a outro todo forma um todo...
Romantismo sim, mas sejamos íntegros!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

O peso do papel


Uma pobre senhora, com visível ar de tristeza estampado no rosto, entrou numa mercearia, aproximou-se do proprietário, conhecido pelo seu modo grosseiro, e pediu-lhe fiado alguns mantimentos. Explicou que o seu marido estava muito doente, não podia trabalhar e que tinha sete filhos para alimentar.
O merceeiro riu-se dela e ordenou que se retirasse do seu estabelecimento.
Pensando na necessidade da sua família ela implorou:
- Por favor senhor, eu dar-lhe-ei o dinheiro assim que o tiver…
Ele respondeu-lhe que ela não tinha crédito nem conta na sua loja.
Um outro freguês, que estava por perto e assistira a este drama, aproximou-se do dono da mercearia e disse-lhe que ele deveria dar o que aquela mulher necessitava para a sua família, por sua conta.
Então, o comerciante falou meio relutante para a pobre mulher:
- Você tem uma lista de mantimentos?
- Sim – respondeu ela.
- Muito bem, coloque a sua lista na balança e o quanto ela pesar, eu lhe darei em mantimentos!
A pobre mulher hesitou por uns instantes e com a cabeça curvada, retirou da bolsa um pedaço de papel, escreveu alguma coisa e o depositou suavemente na balança.
Os três ficaram admirados quando o prato da balança com o papel desceu e permaneceu em baixo. Completamente pasmado com o marcador da balança, o comerciante virou-se lentamente para o seu freguês e comentou contrariado:
- Eu não posso acreditar!
O freguês sorriu e o homem começou a colocar os mantimentos no outro prato da balança.
Como a escala da balança não equilibrava, ele continuou colocando outros mantimentos até não caber mais nada.
O comerciante ficou parado ali por uns instantes olhando para a balança, tentando entender o que havia acontecido.
Finalmente, ele pegou no pedaço de papel da balança e ficou espantado, pois não era uma lista de compras e sim uma oração que dizia: « Meu Deus, Vós conheceis as minhas necessidades e deixo tudo nas Tuas mãos».
O homem deu a mercearia à pobre mulher no mais completo silêncio. Ela agradeceu e saiu da mercearia. O freguês pagou a conta e disse:
- Valeu cada cêntimo. Só Deus sabe o quanto pesa uma oração!